Você chegou ao mundo de olhos abertos, em negra curiosidade desfocada.
Seus olhos, logo soube, eram meus.
Trouxe consigo o sofrimento - este sim de sua mãe.
Não houve tempo para alegria. Todos estavam tensos e apressados.
Eu a tropeçar em fios em busca de um canto onde pudesse ver sem atrapalhar.
Acuei-me de câmera em punho, e esperei.
Sua mãe tinha os olhos vidrados de pânico e peridural.
Em torno dos olhos sérios daquele que segurava o bisturi, vi suor e mais rugas.
Cumpri meu papel e tornei-me calmaria e silêncio.
Talvez no rosto um sorriso pouco convincente.
E nessa pressa eis que te arrancam do conforto que já a sufocava.
Eras a mais branca, com o mais negro dos olhos.
Olhos vazios, letárgicos, mas famintos de ver.
Jamais me esquecerei.
Você chegou ao mundo olhando e sofrendo.
E ao vê-la, desabei em choro – um choro calado, quieto, como o seu.
Minhas lágrimas não eram convulsivas e intensas como o guardado que irrompe.
Mas sim, minaram suaves e cristalinas, como da terra encharcada que satura, e brota.
E de novo choro a ver-te aqui tão frágil e rosa, nesse caixote de acrílico.
Abro a tampa lateral que parece a de um pote de biscoitos.
Sinto o calor do seu pequeno mundo. Sua mão agarra meu dedo e não solta.
Ponho meu toque sobre seu peito de passarinho e você ameaça chorar.
Mas te dou beijos estalados a distância -
os mesmos que dava na barriga de sua mãe para chamar-te.
E você os reconhece, e volta a dormir.
Você mal existe e te amo tão imensa e insuportavelmente
Que choro e choro
E me torno criança abraçada a um caixote acrílico como se abraçado a você.
E peço, não sei a quem
Que cuide, que ajude, que salve –
Que eu nada posso, nada posso, nada posso…
Doc, também agora eu choro - não sei se por sofia, pelas dores da vida, pela emoção de ver linda e viva, pequena sofia. Não sei se dó ou dor, por ela já chegar sentindo que viver dói mesmo, mas que logo saiba que a vida é maior, e é mágica: já no instante seguinte tudo é novo, tudo floresce e começa outra deliciosa fase, única. e que saiba que se há amor, mais fácil é superar qualquer dor.
ResponderExcluirAmor de pai e mãe é tudo que uma criança precisa. e Sofia tem.
bem vinda, pequenina!
Eu também não me contenho e choro, compartilhando à distancia essa dor.
ResponderExcluirSofia é forte, assim como vcs, e eu estou aqui rezando pra tudo dar certo!
Se precisarem de qq coisa me ofereco prontamente!
Muita saúde pra pequena... vai dar tudo certo!
bjo.
Gabi
Sofia, vc chegou trazendo preocupaçao a todos nós, mas com muita esperanca de dar tudo certo. E como meu coração me contava, deu certo. Agora é so esperar vc sair dai para podermos nos sentir completamente felizes. Vc é uma bonequinha de sorte pois o papai e a mamãe te amam muito como todos nós . Um beijo da tia Cristina e um bem especial a mamãe Erika que eu sei bem o que ela esta passando. Gu, estive sempre presente com minhas orações. bjs
ResponderExcluirGustavo,
ResponderExcluirNão chorei...por incrível que pareça...partindo de mim!
Senti uma angústia enorme,doída... a mesma sua, da Érika, da Marina...
Mas isto é por um tempo....somente por um tempo.
Benvinda pequena Sofia!
Sofia ...nosso pimeiro contato com essa toquinha vermelha...inesquecível!!!!!!
ResponderExcluirbjus
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